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Vou escrever para registrar que ainda estou viva e que está difícil lidar com 2020


Há mais de 130 dias estou vivendo em isolamento social e se não surtei completamente, estou bem perto disso. É sério, não estou falando isso só porque sou dramática. 2020 está sendo, sem sombra de dúvidas, o ano mais surreal que já vivi. E também o mais difícil. Excluindo a questão de o planeta inteiro estar vivendo em estado de calamidade por conta da pandemia e mais uma série de acontecimentos que seguem surgindo para provar que a humanidade está se destruindo, não há nada de muito empolgante acontecendo na minha vida. Quando não estou tentando ser um ser humano minimamente funcional, estou usando toda e qualquer energia que ainda resta dentro dos meus um metro e cinquenta e seis tentando conter surtos emocionais enquanto faço a minha parte no que diz respeito ao combate ao vírus. Não vou mentir, não tem sido um mar de rosas, mas acho que isso não é uma surpresa para ninguém. Acho que todos nós estamos tentando conter nossos apocalipses particulares em meio ao fim do mundo como o conhecemos.

Mas para mim as coisas já não estavam muito confortáveis desde o fim do ano passado. Muito antes de o mundo chegar na atual situação, eu já estava convivendo com uma sensação de estranhamento, um inquietamento constante que, depois de trinta décadas de existência, aprendi a identificar como um sintoma de mudanças internas e, obviamente, de muitas ansiedades. Aí, veio o corona e minhas angústias individuais cederam seu espaço para as angústias mais coletivas. Não consigo me preocupar tanto com minhas incômodas transformações pessoais enquanto o resto do planeta lida com dilemas que enxergo como mais urgentes. Ao mesmo tempo que acho louvável que algumas pessoas tenham conseguido seguir com suas vidas encontrando alguma normalidade no meio de tanto caos, eu não consigo parar de pensar no momento em que estamos vivendo como absurdo demais para ser processado como qualquer coisa além de paralisante. Por isso, não consigo seguir vivendo apesar da pandemia. É difícil demais viver com tantas incertezas e estou cansada demais para resistir. 

Então, respirei fundo e apertei o pause. As ondas gigantes de emoções ruins são inevitáveis e não tem como escapar. Posso apenas respirar fundo e tentar me manter firme, torcendo para meus ouvidos não entupirem e eu não engolir muita água. Nos dias muito ruins, posso mergulhar o mais fundo que conseguir, onde o temperamento traiçoeiro das ondas não pode me atingir na tranquilidade daquela imensidão azul. Com sorte, ao invés do Kraken, talvez eu encontre a Ariel. Quando voltar à superfície, ainda que à mercê das ondas instáveis, posso ficar boiando na esperança de que o mar, que sempre foi meu amigo, me mande de volta para a praia. Mas enquanto esse momento não chega, não me resta muito além de respirar fundo, manter o dedo no botão do pause e tentar manter alguma sanidade no meio do fim do mundo. Todo o resto pode esperar.

Pode não parecer pelo tom do texto, mas eu realmente tenho esperança de que a gente vai sair dessa e que não vai demorar muito. Quero também acreditar que todo esse pesadelo e inércia forçados tenham nos inspirado a olhar para dentro e tenham nos possibilitado enxergar com clareza aquilo que é bom e deve ser mantido, mas também aquilo que já não nos serve mais, aquilo que é ruim e já pode ir para o lixo. Quero acreditar que seremos capazes de olhar para fora e, de alguma maneira, descobrir qual é o nosso papel no grande esquema das coisas. O que podemos fazer para que o mundo seja de fato um lugar (melhor) para todos. Quero muito acreditar nisso. Estou tentando muito acreditar nisso.

Páscoa da quarentena: 7 filmes e uma série

(ou Aquele em que eu volto depois de oito meses respondendo uma tag literária, mas com filmes) 

Quando publiquei o post anterior, não imaginei que demoraria tanto tempo para voltar a escrever por aqui, tampouco pensei que seria nas condições atuais. Para ser sincera, já estava me acostumando com a ideia de um ~hiato indefinido. Ensaiei alguns retornos que acabaram esquecidos nos rascunhos e aceitei a possibilidade de meu peixinho ter cumprido o seu papel e precisar adormecer até que seu retorno se fizesse necessário. Mas, como dizia, não imaginei que seria nas condições que estamos vivendo. Criei esse espaço como uma forma de escape dos meus apocalipses pessoais - muitas vezes influenciados por apocalipses mais gerais - e se alguém me dissesse que um dia eu atualizaria o blog durante um período de quarentena enquanto o mundo enfrenta um cenário que até poucas semanas atrás eu consideraria possível apenas em obras de ficção, eu não acreditaria. Contudo, aqui estamos.

Já faz quase um mês que não saio de casa, cansei da sensação de estar vivendo o mesmo domingo em loop e não aguento mais vestir pijama e moletom. Estou dormindo muito mal e a minha cabeça ansiosa não tem me dado um dia de paz e sossego. Porém, sigo firme tentando torcer pelo melhor, esperando o pior e fazendo o que está ao meu alcance para manter algum tipo de sanidade no meio de tanta incerteza e informação catastrófica. E foi com esse intuito que a Mia e eu decidimos voltar a escrever em nossos blogs nesse projetinho que resolvemos chamar de QUARENBEDA. Vejam bem, ninguém está se comprometendo a escrever todos os dias; a ideia é manter alguma regularidade nas atualizações, mas sem cobrança e sem se estressar durante o processo. É para ser algo leve e divertido e, por isso, é sobre coisas leves e divertidas que serão os posts. A palavra-chave na brincadeira é escapismo e a nossa inspiração pessoal é a blogosfera de 2016.

Assim, sem culpa e sem arrependimentos, decidimos aproveitar o feriado de Páscoa para responder a tag Filme de Chocolate (originalmente, Livro de Chocolate). Ao todo, são oito perguntas e precisamos relacionar tipos de chocolate com filmes.  Shall we begin?