Aquele em que eu brinco de jogo do contente: uma lista de coisas que estão me ajudando a sobreviver e não surtar de vez durante o isolamento social


Enquanto sigo aguardando os dias de glória e a chegada da primavera, me propus a jogar o jogo do contente. Mesmo tendo as minhas questões com Pollyanna, acho que é um exercício válido e que todo mundo poderia se beneficiar um pouco dele nesse momento. O segredo é não se levar muito a sério, pois é claro que a pandemia não vai desaparecer magicamente só porque estamos buscando enxergar algo de positivo na situação; até porque não existe algo de positivo na situação. É mais uma tentativa de olhar para as nossas vidas no momento colocando as coisas em outra perspectiva, buscando tirar algo de proveitoso no meio de tanto caos e angústia. Assim, irei listar algumas das coisas que tenho feito desde março e que têm sido ótimas distrações, tanto por me proporcionar alegria, quanto por me trazer um pouco de leveza. São coisas que, de forma geral, têm me deixado mais tranquila e apta para lidar com 2020 sem surtar completamente. Shall we begin?

😊 Comecei a ouvir K-pop
Já via as pessoas se empolgando com K-pop desde 2016, quando comecei a acompanhar mais música pop e a prestar atenção no que os ~jovens estão ouvindo. Desde aquela época rolava uma curiosidade, mas algo sempre me impedia de seguir em frente. Acho que é porque eu sabia que seria um caminho sem volta e que iria me consumir demais. No fim, foi melhor assim porque agora tenho uma ótima distração para a pandemia e tempo de sobra em isolamento para mergulhar nesse universo tão rico. Fico muito contente por finalmente ter iniciado esse capítulo marcante na minha vida musical; a trilha sonora da minha vida tem se tornado muito mais colorida e interessante.

😊 Tenho lido mais e de forma solitária
Com intuito de não alimentar os trolls que vivem na minha cabeça, decidi mergulhar em outras realidades como forma de escapismo. Tenho tirado proveito da condição de isolamento sem muitas opções de lazer, para reduzir a minha lista de leituras. É uma forma de me distrair e também de evitar passar muitas horas olhando para as telas do computador e do celular. Nos dias em que tenho dificuldade de concentração, quadrinhos e mangás têm sido ótimas companhias, assim como os audiobooks. Fico contente que, por meio desses diferentes formatos, estou entrando em contato com histórias que provavelmente permaneceriam fora do meu radar por bastante tempo (ou permanentemente). Justamente por buscar escapismo em minhas leituras, tenho gostado de guardar as experiências apenas para mim e com exceção de algumas situações em que quero compartilhar impressões e posto no Instagram, a maioria das minhas leituras em 2020 têm sido experiências solitárias. Depois de sete anos (!) compartilhando minha vida literária na internet, recuperei aquele prazer de quando lia sem pensar muito sobre como opinar sobre os livros e essa experiência tem me feito repensar meus hábitos de leitura e a minha relação com a internet. Fico contente que isso tenha acontecido também.

😊 Valorizo ainda mais os dias de sol
Nunca escondi que gosto de céu azul e ensolarado, mas durante o isolamento passei a valorizá-los ainda mais. Não só porque acho muito mais difícil me deixar abater pelo isolamento quando o sol está brilhando no céu e eu posso me aquecer, mas também porque passei a dedicar muitos momentos do meu dia ao ato de tomar sol na varanda. Aqui em casa tem uma área espaçosa que bate sol todo dia e o dia todo, mas por conta da correria cotidiana a gente só lembrava dela na hora de estender a roupa lavada. Fico contente por agora poder apreciar melhor esse espaço. Um dos meus momentos preferidos no dia é quando eu paro para tomar sol e apreciar o céu enquanto bebo uma xícara de café e ouço algumas músicas. Como tem um parque atrás da minha casa, pássaros vêm nos visitar e eu adoro ficar observando. Reconheço que não é todo mundo que pode ter essa experiência e sou grata por esse privilégio.

😊 Estou conseguindo dormir bastante e normalmente
Com exceção dos dias de TPM - que sempre são péssimos, não importa o contexto -, meu sono não foi muito afetado. De maneira geral, nunca fui de dormir muitas horas e dessa vez as coisas não são diferentes, mas quase todo dia acordo me sentindo bem, descansada e até disposta (ou o mais próximo disso durante uma pandemia). Nos finais de semana, durmo bastante e me permito enrolar na cama até não aguentar mais e a fome me fazer levantar. Fico contente que seja assim porque seria muito pior lidar com a ansiedade se eu não estivesse conseguindo dormir.

😊 Voltei a caminhar e a fazer exercícios
No começo do ano sofri um acidente enquanto organizava as minhas estantes e torci o pé. Fiquei uns dez dias sem conseguir andar, mais uns tantos sem conseguir pisar direito no chão e ainda mais uns outros sem poder frequentar a academia. Lembro até hoje de quando fui pela última vez e senti uma dor que me fez decidir não fazer exercícios por um tempo. Como alguém que passou os últimos anos aprendendo a amar se exercitar, me ver privada disso foi difícil; principalmente depois que meu pé melhorou, mas o isolamento social começou. Aos poucos comecei a fazer alguns exercícios de treino em casa (tem várias dicas pela internet, basta procurar) e nas últimas semanas, por conta do frio, resolvi que precisava caminhar também para ativar a circulação e diminuir as dores no corpo. Assim, no início da noite coloco minhas roupas de academia e uma máscara e dou algumas voltas pelo condomínio. Sempre verifico o movimento na rua e deixo para sair só quando não tem praticamente ninguém e, mesmo assim, me isolo ao máximo. Antes da pandemia, eu caminhava na esteira da academia ou então em uma pista que tem perto da minha casa, mas agora fico contente por perceber que não preciso ir muito longe de casa para fazer um pouco de exercício; e isso significa que posso caminhar sempre que houver necessidade sem sentir medo por conta do horário. Reconheço que esse é mais um privilégio e, mais uma vez, sou muito grata.

😊 Estou passando mais tempo com a minha família
Por morar com meus pais e minha irmã, eu já passava bastante tempo com eles, mas o isolamento mudou a dinâmica aqui em casa. Como todo mundo tinha a sua própria rotina, os momentos de família aconteciam apenas nos finais de semana. Agora, com praticamente todos dentro de casa diariamente, estamos convivendo mais e isso tem sido surpreendentemente bom. Apesar termos um bom relacionamento familiar, durante os últimos anos não foram poucos os momentos desagradáveis de almoço de domingo estragados por discussões que partiam de divergências de opinião. Então um dos meus maiores receios quando começamos a nos isolar era de que todos os dias fossem um eterno  outubro de 2018, mas felizmente me enganei. É claro que estamos todos cansados e assustados com a pandemia e é claro que tem dias em que acontecem desentendimentos, mas temos conseguido exercer a empatia, enxergar a realidade um do outro e, no fim, acabamos nos entendendo e perdoando. Das minhas coisas preferidas nessa situação está a minha relação com a minha irmã. Tirando aquelas briguinhas de quando éramos mais novas, a gente sempre se deu bem e tem sido ótimo ter a companhia dela nesses dias sombrios. É óbvio que ela é a minha companheira de aventuras desbravando as terras do K-pop, só a gente sabe a jornada que foi descobrir nossos bias do BTS e só Deus sabe a quantidade de gifs e figurinhas de idols a gente já trocou pelo Whatsapp durante as pausas no trabalho. Fico contente que, apesar de estar isolada, não estou sozinha.

😊 Deletei meu Twitter e estou usando ainda menos as redes sociais
É isso mesmo. Eu, que habitava as terras do país Twitter há pouco mais de uma década, decidi que era a hora de dar tchau. Creio que a iniciativa não tenha sido uma surpresa para quem me acompanhava por lá, já que eu não estava muito ativa desde o fim do ano passado e não foram poucas as vezes nos últimos anos em que expressei o meu descontentamento com o que o site havia se tornado. O Twitter costumava ser o meu lugar preferido na internet, era para onde eu ia quando queria espairecer, dar umas risadas ou simplesmente falar coisas que não tinha onde falar. Contudo, sem saber exatamente como, o meu feed se tornou completamente insuportável e, mesmo com as constantes faxinas e ativações dos botões silenciar e bloquear, não teve jeito. Comecei a me sentir cada vez menos confortável por lá e sempre que entrava no site acabava saindo de lá ainda pior.  Assim, em um belo dia de julho (?), decidi simplesmente deletar a conta e afirmo sem a menor sombra de dúvida que essa foi uma das minhas melhores decisões em 2020 e não me vejo voltando atrás. Fico contente que tenha finalmente tomado essa decisão, pois agora não só me sinto livre, mais concentrada e consideravelmente menos ansiosa, como também acabei reduzindo meu tempo de procrastinação com coisa inútil na internet e agora preencho meus momentos de ócio visitando sites que me tragam algo de mais positivo ou realizando atividades offline.

😊 Voltei a escrever
Depois de um tempo sem Twitter e, consequentemente, consumindo menos informação, sinto que meu cérebro voltou a operar em uma velocidade mais natural e isso tem facilitado na hora de organizar os meus pensamentos em forma de escrita. Além de ter voltado a registrar acontecimentos, sentimentos e ideias no meu journal, também voltei a escrever neste espaço e fico realmente contente com isso. Cada vez mais sinto a necessidade de reduzir a minha existência na internet, mas por ser uma pessoa comunicativa, gosto de ter um lugar para me expressar e compartilhar minhas opiniões e o blog sempre foi onde me senti mais confortável fazendo isso. Enquanto sigo aproveitando esses tempos de pandemia para repensar a minha relação com internet e redes sociais e não posso afirmar com 100% de certeza que não vou acabar deletando todos os meus perfis, gosto de saber que posso sempre recorrer a este espaço quando quiser falar algo; e se acontecer de o blog perder esse propósito, posso sempre utilizar as páginas em branco do meu journal.




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